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Aula: ABUSO SEXUAL

Data: 16/02/2009

CONCEITOS

   Abuso sexual é qualquer atividade sexual consciente iniciada por uma pessoa que não obtém o consentimento da outra.

   O prefixo ab significa “afastamento, separação”. Assim, quando alguém se fasta do “uso” normal, comete “abuso”.

   Por sua vez, Maria H. Diniz define abuso como: uso excessivo, impróprio ou injusto de alguma coisa; excesso no exercício de uma função ou exercício irregular de um direito; ato contrário à lei, à moral e aos bons costumes; ato ilícito, imoral, anti-social; violência sexual; estupro; defloramento.

   Conforme a psicologia, o abuso sexual é caracterizado pelo não consentimento da criança na relação com o adulto. Este tipo de abuso ocorre com coerção ou com jogos de sedução afetiva perpetrados pelos adultos. As formas mais comuns de agressão sexual contra crianças relatadas por especialistas que trabalham com a psicoterapia nos casos de abuso são: as "carícias", o contato com a genitália, a masturbação e a relação sexual vaginal, anal ou oral.

   “ Abuso Sexual é uma situação em que uma criança ou adolescente é usado para gratificação de um adulto ou mesmo de um adolescente mais velho, baseado em uma relação de poder que pode incluir desde carícias, manipulação de genitália, mama ou ânus, ‘voyeurismo’,  e exibicionismo, até o ato sexual com ou sem penetração, com ou sem violência.”

   A Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS), item F65.4, define a pedofilia como "Preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes ou não".

   O Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4th edition (DSM-IV), da Associação de Psiquiatras Americanos, define uma pessoa como pedófila caso ela cumpra os três quesitos abaixo:

   Por um período de ao menos seis meses, a pessoa possui intensa atração sexual, fantasias sexuais ou outros comportamentos de caráter sexual por pessoas menores de 13 anos de idade.

   A pessoa decide por realizar seus desejos, seu comportamento é afetado por seus desejos, e/ou tais desejos causam estresse ou dificuldades intra e/ou interpessoais.

   A pessoa possui mais do que 16 anos de idade, e é ao menos cinco anos mais velha do que a(s) criança(s) citada(s) no critério. Este critério não se aplica exatamente a indivíduos com 12-13 anos de idade ou mais, Envolvidos em um relacionamento amoroso (namoro)com um indivíduo ao final da adolescência - entre 17 e 20 anos de idade. Haja visto que nesta faixa etária geralmente acontecem diversos relacionamentos entre adolescentes de idades diferentes. Namoro entre adolescentes e jovens não é considerado pedofilia por especialistas no assunto. (Exemplo: O namoro entre uma adolescente de 14 anos e um jovem de 18 anos)

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedofilia

   A palavra pedofilia vem do grego παιδοφιλια < παις (que significa "criança") e φιλια ( 'amizade'; 'afinidade'; 'amor', 'afeição', 'atração'; 'atração ou afinidade patológica por'; 'tendência patológica' - segundo o Dicionário Aurélio).
 

2. A DINÂMICA DO ABUSO SEXUAL

   Fase de envolvimento / inclusão / engajamento

   Como se dá este envolvimento?

   Apresentação de atividades como se fossem jogos, algo “especial” e divertido (crianças adoram brincar com adultos)

   Oferecimento de recompensas : brinquedos, balas, cinema, etc.

   Ocorrência, em algumas famílias, de força para a criança ceder;

   Coação (psicológica): “Isto é nosso segredo e se você falar os policiais podem me matar”.

   Aspectos a considerar sobre o papel e a posição que o abusador ocupa para a criança:

   Quase sempre é alguém da família ou pessoa que a criança/adolescente conhece, confia e, freqüentemente, ama;

   O poder e a autoridade dos adultos transmitem à criança que o comportamento é aceito e aprovado;

   A oportunidade de participar de alguma atividade com um adulto conhecido e estimado é um incentivo suficiente para que a criança participe

Fase da interação sexual

   Caracteriza-se pela progressão da atividade sexual.

   O perpetrador ciente da proximidade da criança, começa muitas vezes com brincadeiras infantis que incluem desde a exposição do corpo (adulto criança e/ou ambos) passando por toques que vão progredindo gradativamente para outras formas de contato, chegando, muitas vezes, ao sexo anal, oral ou até mesmo a conjunção carnal.

Fase do Sigilo/Segredo

   Já houve a iniciação da criança em qualquer forma de comportamento sexual.

   O perpetrador usa seu poder para manter a criança em silêncio.

   A manutenção do segredo pode se dar por ameaças, compensações como também por medo ou vergonha.

   O sigilo é necessário porque:

   Elimina a responsabilidade de quem comete o abuso;

   Possibilita a repetição do comportamento;

 

   Fase do Sigilo/Segredo

   Aspectos importantes a se considerar:

   A criança geralmente guarda o segredo e sente-se obrigada a isso;

   Gosta de atenção e carinho, pode se sentir a escolhida, mais importante que as outras pessoas da família. Em alguns casos a atividade sexual pode ser a única interação “carinhosa” que a criança tem em casa, com algum membro da família. É a única via para se sentir importante ou estimada;

   É comum a utilização de ameaças visando a manutenção do sigilo pela criança.

   A criança pode achar que a culpa do abuso é sua (isso acontece muitas vezes)

   Manutenção dos segredos:

   Medo de não serem acreditadas;

   Vergonha;

   Medo de retaliação contra si mesma o contra as pessoas que amam;

   Medo de ruptura familiar.

 

   Fase da Revelação

   Revelação acidental

   Há a participação de circunstâncias externas como: observação de uma terceira pessoa, danos físicos, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, etc..

   Revelação proposital

   Geralmente feita pela criança mobilizada por uma série de sentimentos como: tentativa de fuga ou modificação a situação; medo de engravidar; para proteger irmã(os) menores de sofrerem abuso também

   Sentimentos que geralmente acompanham uma criança após a revelação:

   Alívio por descarregar o peso do segredo;

   Culpa por ter gostado da atividade sexual;

   Sentimento de deslealdade por ter traído o agressor.

 
   Fase da Negação ou Supressão

   Há uma tendência dos familiares em negar a situação de abuso, não fornecendo informações e rejeitando intervenções externas

   Por que a Negação:

   Desejo da família em esquecer o abuso

   Pressão dos parentes do abusador para retirar a queixa;

   Pressão do abusador sobre a criança, induzindo-a a sentimentos de culpa, muitas vezes reforçados por outros membros da família, gerando isolamento, solidão e desejo de que as coisa voltem ao normal (no abuso intra-familiar);

   Situações em que as crianças podem estar sujeitas a violência física por parte do abusador.

   Situações após revelação

   Não implica só na separação dos pais, quando o abusador é pai ou padrasto, mas também do afastamento de avós, tios, primos, etc.;

   Na maioria das vezes a criança fica isolada, sozinha, necessitando ir para um abrigo ou casa de parentes;

   Ficam apenas com a mãe, em uma situação familiar e financeira precária com todo o restante da família contra elas, acusando-as de quererem destruir a família;

   Há uma revitimização da criança


3. CATEGORIAS DO ABUSO

   Pedofilia.

   É  um transtorno aonde a pessoa apresenta fantasia e excitação sexual por crianças pré-púberes efetivando tal prática. Classicamente o abusador tem no mínimo 16 anos e é 5 anos mais velho que a vítima, mas esta definição tem sido revista senão não seria considerado pedófilo o menor de 15 anos que se relacionasse com uma criança de 8 anos.
Este tipo de abuso ocorre em todas as classes sociais, idades e níveis de escolaridade e é mais freqüente do que se imagina.

   A grande maioria dos abusadores sexuais são homens, porém suspeita-se que os casos femininos existam, mas que sejam sub-diagnosticados, talvez pelo menor nível de violência (não é regra).

   Via de regra, a maioria dos casos de abuso é oro-genital sendo outras formas menos freqüentes, porém expressivas.

   estupro, quando a relação sexual é consumada à revelia da pessoa acometida, assédio sexual, onde o “abusador” através de atos motores ou promulgações verbais molesta um indivíduo, exploração sexual quando uma pessoa é aliciada a usar de seu corpo para realizações de práticas sexuais em troca de dinheiro ou favores.

   O abusador sempre tem uma explicação, diz que está ensinando sexo à criança, que ela consentiu, etc. Desculpa todas absurdas. Abuso sexual é crime e a criança não tem seu aparelho psíquico desenvolvido para consentir num absurdo destes.

   A pior forma de abuso é a que ocorre dentro de casa, mais difícil de ser descoberta, muitas vezes acobertada pela família, não sendo raro que também a criança seja vítima de abusos físicos de outras naturezas.

   As conseqüências para a criança são bastante graves interferindo em todo seu processo de desenvolvimento psíquico-emocional posterior.


ESTUPRO

   O estupro se define como o ato físico de penetração de uma mulher sem seu consentimento, estando a vítima lúcida ou sob o efeito de drogas.
A vítima de estupro necessita tratamento psicológico na maior parte das vezes para que possa retomar sua vida normal.

   ASSÉDIO SEXUAL

Consite na aproximação não desejada pela vítima por parte do abusador solicitando favores sexuais ou qualquer conduta física ou verbal de natureza sexual. Ocorre muito em casos de pessoas em hierarquia superior em relação ao seu subordinado.

   EXPLORAÇÃO SEXUAL PROFISSIONAL

Ocorre quando a vítima é pessoa que procurou ajuda profissional de um terapeuta, policial, etc. e ao invés de ajuda ela é assediada e por estar em situação de fragilidade aceita o assédio.


INCESTO

   “ É qualquer relação de qualquer caráter sexual entre um adulto e uma criança ou adolescente, entre um adolescente e uma criança, ou ainda entre adolescentes, quando existe um laço familiar, direto ou não, ou mesmo uma mera relação de responsabilidade.”



4. AS FASES DO ABUSO

   Fases do Abuso Sexual doméstico

   Fase 1

   Envolvimento

   Oferecimento de privilégios especiais

   Quanto (+) hábil o abusador, menor a coação

   Essa fase pode durar minutos, meses ou anos antes da consumação do ato físico;

   Famílias incestogênicas: a força ou ameaça é a forma de interação entre seus membros.

   Fase 2

   Interação sexual

   Início: “brincadeiras” exibicionismo

   Abuso nas formas verbalizada e visualizada.

   Pode ser difícil o reconhecimento do abuso  nesse período.

   A criança tem dificuldade em diferenciar os toques saudáveis dos toques sexualizados.

   Fase 3

   Abuso sexual com contato físico


Gravíssimo:

   Relação:  genital, oral ou anal

   Grave:

   a) Contato manual com os órgãos sexuais descobertos

   (com ou sem penetração de dedos)

   b) Contato com os seios desnudos

   c) Simulação de relação sexual inter- femoral

   Menos grave:

   a) Beijos eróticos

   b) Toque sexualizado: nádegas, coxas, genitais e seios cobertos.

   Fase 4

   Sigilo
 

   Depois do abuso inicia-se a fase intimidatória a fim de manter o silêncio da criança.

   Durante essa fase, para se obter o sigilo da vítima , são comuns:

   a) Utilização de ameaças

   b) Repetição do abuso sexual

   Fase 5

   Revelação

   a) Revelação acidental

   Ex: sangramentos da vagina e ânus, presença de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, etc.

   b) Revelação proposital

   Um dos participantes envolvidos (geralmente a      criança) decide contar a alguém o    “segredo”.

   Fase 6

   Supressão

   A negação familiar

   A maioria das famílias, após a fase da revelação, passa a negar o incesto

   (Confirma o abuso)  Fase do inquérito policial

   (Nega o abuso)  Fase processual

   O agressor é acobertado pelos parentes

   Seqüelas do Abuso Sexual

   Prática abusiva freqüente e de longa duração

   Grande grau de intimidade e parentesco entre o agressor e a vítima

   Diferença acentuada da idade entre o abusador e a criança

   Abuso sexual envolvendo contato físico e qualquer tipo de penetração

   Fatores que Agravam as  Seqüelas do abuso sexual

   Presença de sadismo e violência na prática incestuosa.

   Desamparo e desprezo demonstrado à criança quando o abuso foi revelado.

   Falha no atendimento institucional, provocando a revitimização da criança.

   Fatores que Agravam as  Seqüelas do abuso sexual

   Problemas na área sexual como conseqüência do abuso

   Prazer sexual através de atos e cenas bizarras

   Vício por sexo/ múltiplos parceiros

   Aversão à prática do ato sexual

   Sadomasoquismo

   Prática compulsiva da masturbação

   Prostituição

   Homossexualismo e lesbianismo

   Desejo sexual por crianças quando adultos

   5. QUEM SÃO OS AGRESSORES

   Abuso sexual intrafamiliar:

   Utiliza-se esta expressão para caracterizar o abuso sexual infantil que ocorre dentro do sistema familiar da criança. O agressor pode ser o pai, um irmão, um primo, ou seja: pessoas com relação de consangüinidade com a criança. Mas também é agressor intrafamiliar um padrasto, um novo namorado da mãe da criança (que a criança conheça), um amigo muito íntimo da família, enfim: todos aqueles que mesmo sem nenhum grau de parentesco têm um certo convívio com a criança a ponto de travar com ela laços afetivos

   O abuso sexual intrafamiliar também pode ser chamado de relação de incesto.

   Abuso sexual extrafamiliar:

   É o abuso perpetrado por desconhecidos ou por pessoas com uma relação pouco intensa com a família da vítima.

   6. OS DANOS E CONSEQÜÊNCIAS: IMPOTÊNCIA, TRAIÇÃO, AMBIVALÊNCIA E OUTROS;

   Fatores que influenciam nas conseqüências

   A idade de início do abuso

   Duração do abuso

   Diferença de idade entre a criança e o abusador

   Grau de relação entre o abusador e a criança

   Ausência de figuras parentais protetoras

   Atendimento no aparato judicial

   Indicadores / Conseqüências do Abuso Sexual

   Indicadores Físicos

   Traumatismos,coceiras ,corrimentos e lesões diversas na genitália e/ou anus

   Dores e problemas físicos  (erupções na pele, vômitos, dores de cabeça) sem qualquer explicação médica

   Sangramentos

   Corrimentos vaginais

   Infecções urinárias

   Doenças sexualmente transmissíveis

   Gravidez

   Infecções crônicas de garganta

   Doenças psicossomáticas

   Dores abdominais

   Mudanças extremas, súbitas e inexplicáveis no comportamento

   Distúrbios do sono e do apetite

   Compulsão para o banho

   Altos níveis de ansiedade

   Agressividade ou apatia em excesso

   Baixa auto-estima / Insegurança( rebaixamento da auto-percepção sobre suas capacidades)

   Dificuldade de concentração e aprendizagem

   Indicadores comportamentais

   Faltas constantes na escola

   Afastamento / Isolamento social / Poucos amigos da mesma idade

   ( problemas no desenvolvimento das relações de apego e afeto)

   Choro sem motivo aparente

   Medo de ser atraente / Repulsa ao contato físico

   Estado de alerta constante

   Tristeza / Abatimento profundo / Depressão / Tentativas ou fantasias suicidas

   Comportamento sexualmente explícito / Masturbação excessiva

   Indicadores / Conseqüências do Abuso Sexual

   Sentimentos comuns

   Culpa

   Vergonha

   Impotência

   Confusão

   Ambivalência

   Tristeza

   Medo

   Insegurança

   Desamparo

   Indicadores / Conseqüências do Abuso Sexual

   Efeitos a longo prazo

   Fobias, pânico, comportamento anti-social
 
   Alcoolismo

   Abuso de drogas

   Prostituição

   Promiscuidade

   Disfunção sexual/Aversão ao sexo

   Vaginismo

   Depressão/suicídio

   Dismenorréia ou amenoréia

   Reedição da violência

   Atividade criminal

   A vítima precisa de ajudar

   Esteja atento aos sinais corporal e emocional

   * Corpo. Marcas, feridas, ematomas etc
   * Emoção. Tristeza, choro, irritação, agressividade, depressão etc
   * O conselheiro precisa.

                 Manter o equilíbrio emocional

   Ouvir o histórico

   Demonstrar real confiabilidade

   Procurar ajuda adequada (médico, conselheiro, psicólogo)

   Ajudar a vítima a discernir entre falso sentimento de culpa e culpa real.

   “As vítimas de abuso sexual acabam se sentindo culpadas por acharem que elas é que fizeram algo, ou por que sentiram algum prazer (Deus fez nosso corpo para responder quando estimulado sexualmente), podendo chegar a ponto de até negar que sofreram abuso sexual.” (Revista sexaulidade)

   Restauração da identidade

    * Sexual
    * Corporal
    * Psíquica
    * Espiritual

   O BOM QUE SE SAIBA

    * Abuso sexual é crime

BIBLIOGRAFIA

LANGBERG, Diane Mandt. Abuso Sexual – Aconselhando vítimas. Trad. Werner Fuchs. Curitba: Evangélica Esperança, 2002, 320p.

JOVENS – Escola Bíblica Dominical – Sexualidade: Uma bênçao a ser valorizada.
Pesquisas na internet.