Abuso sexual é qualquer atividade sexual consciente iniciada por uma pessoa que não obtém o consentimento da outra.
O prefixo ab significa “afastamento, separação”. Assim, quando alguém se fasta do “uso” normal, comete “abuso”.
Por sua vez, Maria H. Diniz define abuso como: uso excessivo, impróprio ou injusto de alguma coisa; excesso no exercício de uma função ou exercício irregular de um direito; ato contrário à lei, à moral e aos bons costumes; ato ilícito, imoral, anti-social; violência sexual; estupro; defloramento.
Conforme a psicologia, o abuso sexual é caracterizado pelo não consentimento da criança na relação com o adulto. Este tipo de abuso ocorre com coerção ou com jogos de sedução afetiva perpetrados pelos adultos. As formas mais comuns de agressão sexual contra crianças relatadas por especialistas que trabalham com a psicoterapia nos casos de abuso são: as "carícias", o contato com a genitália, a masturbação e a relação sexual vaginal, anal ou oral.
“ Abuso Sexual é uma situação em que uma criança ou adolescente é usado para gratificação de um adulto ou mesmo de um adolescente mais velho, baseado em uma relação de poder que pode incluir desde carícias, manipulação de genitália, mama ou ânus, ‘voyeurismo’, e exibicionismo, até o ato sexual com ou sem penetração, com ou sem violência.”
A Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da Organização Mundial da Saúde (OMS), item F65.4, define a pedofilia como "Preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes ou não".
O Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4th edition (DSM-IV), da Associação de Psiquiatras Americanos, define uma pessoa como pedófila caso ela cumpra os três quesitos abaixo:
Por um período de ao menos seis meses, a pessoa possui intensa atração sexual, fantasias sexuais ou outros comportamentos de caráter sexual por pessoas menores de 13 anos de idade.
A pessoa decide por realizar seus desejos, seu comportamento é afetado por seus desejos, e/ou tais desejos causam estresse ou dificuldades intra e/ou interpessoais.
A pessoa possui mais do que 16 anos de idade, e é ao menos cinco anos mais velha do que a(s) criança(s) citada(s) no critério. Este critério não se aplica exatamente a indivíduos com 12-13 anos de idade ou mais, Envolvidos em um relacionamento amoroso (namoro)com um indivíduo ao final da adolescência - entre 17 e 20 anos de idade. Haja visto que nesta faixa etária geralmente acontecem diversos relacionamentos entre adolescentes de idades diferentes. Namoro entre adolescentes e jovens não é considerado pedofilia por especialistas no assunto. (Exemplo: O namoro entre uma adolescente de 14 anos e um jovem de 18 anos)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedofilia
A palavra pedofilia vem do grego παιδοφιλια < παις (que significa "criança") e φιλια ( 'amizade'; 'afinidade'; 'amor', 'afeição', 'atração'; 'atração ou afinidade patológica por'; 'tendência patológica' - segundo o Dicionário Aurélio).
2. A DINÂMICA DO ABUSO SEXUAL
Fase de envolvimento / inclusão / engajamento
Como se dá este envolvimento?
Apresentação de atividades como se fossem jogos, algo “especial” e divertido (crianças adoram brincar com adultos)
Oferecimento de recompensas : brinquedos, balas, cinema, etc.
Ocorrência, em algumas famílias, de força para a criança ceder;
Coação (psicológica): “Isto é nosso segredo e se você falar os policiais podem me matar”.
Aspectos a considerar sobre o papel e a posição que o abusador ocupa para a criança:
Quase sempre é alguém da família ou pessoa que a criança/adolescente conhece, confia e, freqüentemente, ama;
O poder e a autoridade dos adultos transmitem à criança que o comportamento é aceito e aprovado;
A oportunidade de participar de alguma atividade com um adulto conhecido e estimado é um incentivo suficiente para que a criança participe
Fase da interação sexual
Caracteriza-se pela progressão da atividade sexual.
O perpetrador ciente da proximidade da criança, começa muitas vezes com brincadeiras infantis que incluem desde a exposição do corpo (adulto criança e/ou ambos) passando por toques que vão progredindo gradativamente para outras formas de contato, chegando, muitas vezes, ao sexo anal, oral ou até mesmo a conjunção carnal.
Fase do Sigilo/Segredo
Já houve a iniciação da criança em qualquer forma de comportamento sexual.
O perpetrador usa seu poder para manter a criança em silêncio.
A manutenção do segredo pode se dar por ameaças, compensações como também por medo ou vergonha.
O sigilo é necessário porque:
Elimina a responsabilidade de quem comete o abuso;
Possibilita a repetição do comportamento;
Fase do Sigilo/Segredo
Aspectos importantes a se considerar:
A criança geralmente guarda o segredo e sente-se obrigada a isso;
Gosta de atenção e carinho, pode se sentir a escolhida, mais importante que as outras pessoas da família. Em alguns casos a atividade sexual pode ser a única interação “carinhosa” que a criança tem em casa, com algum membro da família. É a única via para se sentir importante ou estimada;
É comum a utilização de ameaças visando a manutenção do sigilo pela criança.
A criança pode achar que a culpa do abuso é sua (isso acontece muitas vezes)
Manutenção dos segredos:
Medo de não serem acreditadas;
Vergonha;
Medo de retaliação contra si mesma o contra as pessoas que amam;
Medo de ruptura familiar.
Fase da Revelação
Revelação acidental
Há a participação de circunstâncias externas como: observação de uma terceira pessoa, danos físicos, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, etc..
Revelação proposital
Geralmente feita pela criança mobilizada por uma série de sentimentos como: tentativa de fuga ou modificação a situação; medo de engravidar; para proteger irmã(os) menores de sofrerem abuso também
Sentimentos que geralmente acompanham uma criança após a revelação:
Alívio por descarregar o peso do segredo;
Culpa por ter gostado da atividade sexual;
Sentimento de deslealdade por ter traído o agressor.
Fase da Negação ou Supressão
Há uma tendência dos familiares em negar a situação de abuso, não fornecendo informações e rejeitando intervenções externas
Por que a Negação:
Desejo da família em esquecer o abuso
Pressão dos parentes do abusador para retirar a queixa;
Pressão do abusador sobre a criança, induzindo-a a sentimentos de culpa, muitas vezes reforçados por outros membros da família, gerando isolamento, solidão e desejo de que as coisa voltem ao normal (no abuso intra-familiar);
Situações em que as crianças podem estar sujeitas a violência física por parte do abusador.
Situações após revelação
Não implica só na separação dos pais, quando o abusador é pai ou padrasto, mas também do afastamento de avós, tios, primos, etc.;
Na maioria das vezes a criança fica isolada, sozinha, necessitando ir para um abrigo ou casa de parentes;
Ficam apenas com a mãe, em uma situação familiar e financeira precária com todo o restante da família contra elas, acusando-as de quererem destruir a família;
Há uma revitimização da criança
3. CATEGORIAS DO ABUSO
Pedofilia.
É um transtorno aonde a pessoa apresenta fantasia e excitação sexual por crianças pré-púberes efetivando tal prática. Classicamente o abusador tem no mínimo 16 anos e é 5 anos mais velho que a vítima, mas esta definição tem sido revista senão não seria considerado pedófilo o menor de 15 anos que se relacionasse com uma criança de 8 anos. Este tipo de abuso ocorre em todas as classes sociais, idades e níveis de escolaridade e é mais freqüente do que se imagina.
A grande maioria dos abusadores sexuais são homens, porém suspeita-se que os casos femininos existam, mas que sejam sub-diagnosticados, talvez pelo menor nível de violência (não é regra).
Via de regra, a maioria dos casos de abuso é oro-genital sendo outras formas menos freqüentes, porém expressivas.
estupro, quando a relação sexual é consumada à revelia da pessoa acometida, assédio sexual, onde o “abusador” através de atos motores ou promulgações verbais molesta um indivíduo, exploração sexual quando uma pessoa é aliciada a usar de seu corpo para realizações de práticas sexuais em troca de dinheiro ou favores.
O abusador sempre tem uma explicação, diz que está ensinando sexo à criança, que ela consentiu, etc. Desculpa todas absurdas. Abuso sexual é crime e a criança não tem seu aparelho psíquico desenvolvido para consentir num absurdo destes.
A pior forma de abuso é a que ocorre dentro de casa, mais difícil de ser descoberta, muitas vezes acobertada pela família, não sendo raro que também a criança seja vítima de abusos físicos de outras naturezas.
As conseqüências para a criança são bastante graves interferindo em todo seu processo de desenvolvimento psíquico-emocional posterior.
ESTUPRO
O estupro se define como o ato físico de penetração de uma mulher sem seu consentimento, estando a vítima lúcida ou sob o efeito de drogas. A vítima de estupro necessita tratamento psicológico na maior parte das vezes para que possa retomar sua vida normal.
ASSÉDIO SEXUAL
Consite na aproximação não desejada pela vítima por parte do abusador solicitando favores sexuais ou qualquer conduta física ou verbal de natureza sexual. Ocorre muito em casos de pessoas em hierarquia superior em relação ao seu subordinado.
EXPLORAÇÃO SEXUAL PROFISSIONAL
Ocorre quando a vítima é pessoa que procurou ajuda profissional de um terapeuta, policial, etc. e ao invés de ajuda ela é assediada e por estar em situação de fragilidade aceita o assédio.
INCESTO
“ É qualquer relação de qualquer caráter sexual entre um adulto e uma criança ou adolescente, entre um adolescente e uma criança, ou ainda entre adolescentes, quando existe um laço familiar, direto ou não, ou mesmo uma mera relação de responsabilidade.”
4. AS FASES DO ABUSO
Fases do Abuso Sexual doméstico
Fase 1
Envolvimento
Oferecimento de privilégios especiais
Quanto (+) hábil o abusador, menor a coação
Essa fase pode durar minutos, meses ou anos antes da consumação do ato físico;
Famílias incestogênicas: a força ou ameaça é a forma de interação entre seus membros.
Fase 2
Interação sexual
Início: “brincadeiras” exibicionismo
Abuso nas formas verbalizada e visualizada.
Pode ser difícil o reconhecimento do abuso nesse período.
A criança tem dificuldade em diferenciar os toques saudáveis dos toques sexualizados.
Fase 3
Abuso sexual com contato físico
Gravíssimo:
Relação: genital, oral ou anal
Grave:
a) Contato manual com os órgãos sexuais descobertos
(com ou sem penetração de dedos)
b) Contato com os seios desnudos
c) Simulação de relação sexual inter- femoral
Menos grave:
a) Beijos eróticos
b) Toque sexualizado: nádegas, coxas, genitais e seios cobertos.
Fase 4
Sigilo
Depois do abuso inicia-se a fase intimidatória a fim de manter o silêncio da criança.
Durante essa fase, para se obter o sigilo da vítima , são comuns:
a) Utilização de ameaças
b) Repetição do abuso sexual
Fase 5
Revelação
a) Revelação acidental
Ex: sangramentos da vagina e ânus, presença de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, etc.
b) Revelação proposital
Um dos participantes envolvidos (geralmente a criança) decide contar a alguém o “segredo”.
Fase 6
Supressão
A negação familiar
A maioria das famílias, após a fase da revelação, passa a negar o incesto
(Confirma o abuso) Fase do inquérito policial
(Nega o abuso) Fase processual
O agressor é acobertado pelos parentes
Seqüelas do Abuso Sexual
Prática abusiva freqüente e de longa duração
Grande grau de intimidade e parentesco entre o agressor e a vítima
Diferença acentuada da idade entre o abusador e a criança
Abuso sexual envolvendo contato físico e qualquer tipo de penetração
Fatores que Agravam as Seqüelas do abuso sexual
Presença de sadismo e violência na prática incestuosa.
Desamparo e desprezo demonstrado à criança quando o abuso foi revelado.
Falha no atendimento institucional, provocando a revitimização da criança.
Fatores que Agravam as Seqüelas do abuso sexual
Problemas na área sexual como conseqüência do abuso
Prazer sexual através de atos e cenas bizarras
Vício por sexo/ múltiplos parceiros
Aversão à prática do ato sexual
Sadomasoquismo
Prática compulsiva da masturbação
Prostituição
Homossexualismo e lesbianismo
Desejo sexual por crianças quando adultos
5. QUEM SÃO OS AGRESSORES
Abuso sexual intrafamiliar:
Utiliza-se esta expressão para caracterizar o abuso sexual infantil que ocorre dentro do sistema familiar da criança. O agressor pode ser o pai, um irmão, um primo, ou seja: pessoas com relação de consangüinidade com a criança. Mas também é agressor intrafamiliar um padrasto, um novo namorado da mãe da criança (que a criança conheça), um amigo muito íntimo da família, enfim: todos aqueles que mesmo sem nenhum grau de parentesco têm um certo convívio com a criança a ponto de travar com ela laços afetivos
O abuso sexual intrafamiliar também pode ser chamado de relação de incesto.
Abuso sexual extrafamiliar:
É o abuso perpetrado por desconhecidos ou por pessoas com uma relação pouco intensa com a família da vítima.
6. OS DANOS E CONSEQÜÊNCIAS: IMPOTÊNCIA, TRAIÇÃO, AMBIVALÊNCIA E OUTROS;
Fatores que influenciam nas conseqüências
A idade de início do abuso
Duração do abuso
Diferença de idade entre a criança e o abusador
Grau de relação entre o abusador e a criança
Ausência de figuras parentais protetoras
Atendimento no aparato judicial
Indicadores / Conseqüências do Abuso Sexual
Indicadores Físicos
Traumatismos,coceiras ,corrimentos e lesões diversas na genitália e/ou anus
Dores e problemas físicos (erupções na pele, vômitos, dores de cabeça) sem qualquer explicação médica
Sangramentos
Corrimentos vaginais
Infecções urinárias
Doenças sexualmente transmissíveis
Gravidez
Infecções crônicas de garganta
Doenças psicossomáticas
Dores abdominais
Mudanças extremas, súbitas e inexplicáveis no comportamento
Distúrbios do sono e do apetite
Compulsão para o banho
Altos níveis de ansiedade
Agressividade ou apatia em excesso
Baixa auto-estima / Insegurança( rebaixamento da auto-percepção sobre suas capacidades)
Dificuldade de concentração e aprendizagem
Indicadores comportamentais
Faltas constantes na escola
Afastamento / Isolamento social / Poucos amigos da mesma idade
( problemas no desenvolvimento das relações de apego e afeto)
Ajudar a vítima a discernir entre falso sentimento de culpa e culpa real.
“As vítimas de abuso sexual acabam se sentindo culpadas por acharem que elas é que fizeram algo, ou por que sentiram algum prazer (Deus fez nosso corpo para responder quando estimulado sexualmente), podendo chegar a ponto de até negar que sofreram abuso sexual.” (Revista sexaulidade)
Restauração da identidade
* Sexual * Corporal * Psíquica * Espiritual
O BOM QUE SE SAIBA
* Abuso sexual é crime
BIBLIOGRAFIA
LANGBERG, Diane Mandt. Abuso Sexual – Aconselhando vítimas. Trad. Werner Fuchs. Curitba: Evangélica Esperança, 2002, 320p.
JOVENS – Escola Bíblica Dominical – Sexualidade: Uma bênçao a ser valorizada. Pesquisas na internet.